segunda-feira, 14 de março de 2011

Mergulhador passa 16h à deriva com o corpo paralisado Eduardo Quental estava fazendo um mergulho nas Ilhas Cagarras, no Rio de Janeiro, quando bateu com a cabeça no fundo do barco. Ele foi resgatado a 21 km do local onde sofreu o acidente.



Um dia lindo. E em apenas dez minutos os amigos chegavam às Ilhas Cagarras, bem em frente à Praia de Ipanema, no Rio. Sob aquelas águas, eles pescam há décadas. Naquele dia, pegaram uma garoupa de 25 quilos. Mas decidiram dar mais um mergulho. Na subida para a superfície, um instante de distração.

“Não olhei para a superfície, e o barco também se deslocou um pouquinho. Então, na subida do mergulho, eu dei com a cabeça no fundo do barco. Não foi uma pancada muito forte, mas me imobilizou totalmente na hora. Instantaneamente eu perdi o movimento de todos os membros. Só fiquei com a cabeça mexendo”, conta o mergulhador Eduardo Quental.

O impacto na coluna o deixou paralisado do pescoço para baixo. 
“Foi uma situação desesperadora, porque eu comecei a tentar mexer e vi que não mexia. Aí, eu percebi plenamente o que tinha ocorrido. Foi o pior momento, imaginei que eu fosse morrer afogado porque não podia me movimentar, estava debaixo d’água ainda e sem ar. Naquele momento, eu me despedi da minha mulher e da minha filha e fiquei aguardando a morte chegar, segurando o fôlego. Foram segundos como uma eternidade. Só que meu corpo foi se virando, e eu saí com a cara para cima respirando”, descreve.

A roupa de neoprene ajudou a boiar. E o cinto, com peso, deu estabilidade. Marcos, o companheiro, ainda estava na água e não viu nada. Quando Marcos voltou para o barco, encontrou a bóia de Eduardo sinalizando que ele ainda estava lá embaixo. Passados alguns minutos, chegou à conclusão mais óbvia em uma situação dessas: o companheiro tinha sofrido um apagamento e estava afogado lá embaixo.

“Minha preocupação não era subir no barco e procurar em volta, era procurar no fundo. Foi o que eu fiz. Quando chegando ao barco e não o encontrei, comecei a mergulhar em volta para ver se achava ele no fundo desmaiado”, conta Marcos Mantovani.

Eduardo não conseguiu pedir socorro. “Tentei dar uns gritos para o meu parceiro, mas como meu pulmão estava sem controle, eu tinha pouco ar, pouco fôlego. Então, ele não viu e aí foi”, diz.

E foi. Em poucos minutos, só o rosto estava de fora. Era um pontinho na imensidão do mar, ao sabor da correnteza. Mas com mais quatro horas de sol pela frente, ele achava que o resgate ia chegar.

“Eu falei: ‘Tranquilo, vão me achar daqui a pouquinho’. Ficava esperando por barulho de barco, de helicóptero. O tempo foi passando e nada. Não passou nenhum barco, nenhum helicóptero”, lembra Eduardo.

Muitos barcos foram mobilizados, mas procuravam longe de onde ele estava.

“A água estava no limite da boca. Eu tinha que manter o pulmão cheio, senão afundava um pouquinho. Então, tinha que fazer uma técnica de respiração: eu enchia o pulmão e aguentava uns 15 segundos. Enquanto isso, meu corpo boiava um pouquinho melhor e eu deixava as ondinhas lamberem minha cara. Não atrapalhava minha respiração e ia repetindo esse processo”, explica.

Outro risco: a hipotermia. Quando o corpo perde calor.

“Eu fazia exercícios com a cabeça e com a boca, que eu podia, e descobri também que tinha um movimento de ombro que me cutucava a região onde eu tive o apertamento da medula e me dava um choquezinho no corpo. Eu provocava a dor para poder me manter vivo. A questão é que eu teria que fazer isso durante muitas horas. O pôr do sol foi se aproximando e, quando escureceu, veio a segunda fase. Foi uma fase difícil. Eu tive consciência de que teria que sobreviver muitas horas naquela situação”, lembra.

A maré enchente carregou Eduardo para a entrada da Baía de Guanabara, rota de navios.

“Em torno das 23h, veio um cruzeiro desses de turismo muito grande, saindo da baía. Eu estava preocupado de cair nas turbinas do navio. Ele passou do meu lado. Até dei uns gritinhos, peguei água do lado e soprei para o alto, para ver se alguém via um chafarizinho. Mas, racionalmente, não havia a menor possibilidade”, diz Eduardo.

Como suportar as horas de escuridão e imobilidade?

“Eu me agarrei à vida. Percebi que eu queria muito viver. Eu tinha certeza de que ia ficar tetraplégico. Durante a noite, eu falei: ‘Tudo bem, não vou ficar com movimento. Isso não vale nada, eu quero a vida. Eu vou poder ver a minha filha crescer, vou poder estar com a minha mulher, minha família, meus amigos, vou estar pleno, minha cabeça está boa’”, conta Eduardo.

A maré mudou, e o rumo dele também. Desde as Ilhas Cagarras foram 16 horas e 21 quilômetros flutuando. Ao amanhecer, ele estava em frente à Praia de Piratininga, em Niterói.

A poucos metros da praia que seria a salvação, Eduardo sabia que estava enfrentando o maior risco desde a hora do acidente. Ele precisava ser resgatado antes da arrebentação. Qualquer pessoa que já pegou jacaré, que já atravessou a arrebentação, sabe a força que uma onda tem para deslocar um corpo. Agora imagine se essa pessoa está com pernas e braços paralisados. A lesão na coluna poderia ser agravada. Além disso, se a onda jogasse Eduardo na praia, na posição errada, de cabeça para baixo, ele poderia morrer afogado em um tantinho de água.

Eram 6h30 quando amigos que saíam para pescar pararam para olhar o mar e viram um vulto preto na água.

“Ele falava que era tartaruga; eu dizia que era lixo. Só quando chegamos perto da água mesmo constatamos que era uma pessoa”, conta o advogado Tiago Viana.

Jorge não sabe nadar. Tiago estava com medo de ser puxado para baixo. Foi Eduardo, que depois de tudo, ainda tranquilizou os dois e explicou o que deviam fazer.

“Eu até estranhei. Pelo que aconteceu, ele até que chegou à areia muito calmo, muito tranquilo”, diz Tiago.

A emoção é indescritível. “Com 60 anos de idade e sem nunca ter praticado uma aula de natação, não saber nadar nem o suficiente para me salvar, participar do resgate de uma pessoa assim”, conta o administrador Jorge Carvalho.

Ainda ali, na praia, Eduardo pediu para ligarem para a mulher dele. Ela havia passado a noite ouvindo que não havia esperança.

“Mesmo se ele não tiver recuperação nenhuma e ficar assim para sempre já está super no lucro, porque ele está de volta, lúcido. Estamos aqui conversando, vamos ficar juntos, vamos tomar vinho juntos, vamos acabar de criar nossa filha. Então, está no lucro total”, comemora Marina Quental.

No mesmo dia, Eduardo foi operado. Os médicos entenderam que a pancada provocou a paralisia porque ele tinha, sem saber, uma degeneração na coluna. Na cirurgia, eles removeram um pedaço de duas vértebras, permitindo que o fluxo fosse restabelecido.

“Estamos confiantes de que ele vai ter uma melhora grande com o passar dos meses. Não é uma coisa rápida, mas é evolutiva”, explica o médico Paulo José Pereira.

Um mês depois do acidente, os progressos aparecem. O braço e a perna direitos estão com movimento. A mão vai ficando cada vez mais firme. E quem já se conformava em viver paralisado agora faz planos

“Assim que eu puder, vou para dentro da piscina começar a treinar respiração. Se Deus quiser, eu vou voltar a fazer caça submarina melhor do que eu fazia antes. Essa é a minha ideia”, planeja Eduardo. 



segunda-feira, 7 de março de 2011

Hardcore Sitting - Esporte Radical sobre cadeira de rodas.

sábado, 5 de março de 2011

Deputada cadeirante fica presa em avião em SP.Que país é esse?


A deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP) ficou presa por duas horas no interior de um avião na noite desta quarta-feira (2) no aeroporto internacional de Guarulhos (Grande SP) após se recusar a sair sem o equipamento adequado para desembarque de cadeirantes. A deputada é tetraplégica.
Gabrilli estava no voo 3563 da TAM, que vinha de Brasília e chegou por volta das 21h de ontem. O avião parou em posição remota no interior do aeroporto, fora das áreas de fingers (passarelas que ligam os portões de embarque às aeronaves). Neste caso, o desembarque de passageiros com mobilidade reduzida deve ser feito com ambulift (espécie de carrinho com elevador).
Segundo a deputada, apenas em terra a TAM informou que os aparelhos da empresa e da Infraero estavam quebrados, e que ela seria carregada por um dos comissários para fora da aeronave.
"Bati o pé e disse que eu não iria. Chovia forte no momento e estou com tosse. O risco é muito grande para uma pessoa como eu e o aeroporto deve ter os equipamentos necessários para estes casos."
Ainda segundo Gabrilli, funcionários da TAM tentaram convencê-la alegando que haveria demora na solução do impasse, uma vez que os equipamentos estariam quebrados há um mês e meio.

Mara Gabrilli ficou presa por duas horas em um avião em SP após recusar sair sem o equipamento adequado
Mara Gabrilli ficou presa por duas horas em um avião em SP após recusar sair sem o equipamento adequado
Solidários, os comissários da aeronave acionaram a torre de controle do aeroporto para usarem um dos fingers para o desembarque da deputada. Mas o procedimento não foi autorizado.
Uma resolução da Anac (agência que regula a aviação civil no país) obriga as empresas aéreas ou operadores de aeronaves a assegurar o movimento de pessoas portadoras de deficiência entre os aviões e o terminal com dispositivos adequados para efetuar, com segurança, o embarque e desembarque.
A deputada disse que chegou a acionar a Anac, mas a agência não demonstrou interesse pelo caso.
Apenas por volta das 23h, funcionários da TAM conseguiram um ambulift que estava fora de uso e fosse liberado pela Infraero apenas para a retirada da deputada.
"Tomei chuva e a pessoa responsável pelo aparelho não me amarrou (colocou o cinto de segurança). Foi minha assistente que prendeu o cinto de segurança com o ambulift em funcionamento. Ninguém teve essa atitude. Os funcionários não tem o preparo necessário ainda."

OUTRO LADO
A companhia área TAM lamentou, por meio de nota, os transtornos causados à deputada. Segundo a empresa, a passageira esperou durante 1h05 dentro do avião.
"A passageira desembarcou com segurança e foi acompanhada até o seu carro", disse a TAM, ressaltando que tem equipe treinada para lidar com essas situações.
Hoje, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) investigava o problema da falta de ambulifts no aeroporto de Cumbica. Segundo a agência, será aplicada uma multa à TAM por não ter transportado a passageira com segurança. O valor varia de R$ 10 mil a R$ 25 mil.

Qual é a minha força, para que eu espere? Ou qual é o meu fim, para que tenha ainda paciência?

quarta-feira, 2 de março de 2011

Família será indenizada por morte de jovem que teve atendimento recusado pelo SAMU de Caxias do Sul.A Juíza condenou o Município ao pagamento de indenização de R$ 100 mil a família de jovem paraplégico que faleceu após buscar por dois dias atendimento do SAMU. Fonte TJRS - Terça Feira, 01 de Março de 2011.



A Juíza Joseline Mirele Pinson de Vargas, da Comarca de Caxias do Sul, condenou o Município ao pagamento de indenização de R$ 100 mil a família de jovem paraplégico que faleceu após buscar por dois dias atendimento do SAMU. A decisão é dessa segunda-feira (28/2) e cabe recurso.
A autora da ação narrou que no dia 23/10/2006 começou a ligar para o serviço de emergência buscando atendimento para o seu sobrinho, paraplégico e cadeirante, que vivia sob seus cuidados. O jovem sentia fortes dores abdominais e dificuldades respiratórias.
Afirmou que realizou 31 ligações, no período de dois dias, mas os atendentes alegavam não realizar serviço de remoção, apenas atendimento de emergência. Alegou não ter condições de levá-lo ao hospital em razão dos problemas que poderiam ser causados por um translado indevido. Disse que o sobrinho faleceu em 25/10/2006 e, momentos antes, o SAMU garantiu que uma ambulância estava a caminho, porém o veículo nunca chegou.Em contestação, o Município ressaltou que o SAMU não tem por finalidade o atendimento domiciliar, consultas e remoção de pessoas, apenas emergências. Defendeu a culpa exclusiva da autora, que não levou o paciente ao hospital.

Decisão

A Juíza Joseline de Vargas ressaltou que após os primeiros contatos com o SAMU, os familiares procuraram médico do posto de saúde próximo a sua residência, que confirmou a gravidade da situação e a necessidade de remoção com urgência para um hospital. Após, salientou, novas ligações foram feitas, mas o serviço novamente atuou com descaso, pois foi enviado um carro para a casa do jovem (e não uma ambulância) com um técnico em enfermagem. Saliente-se, não era sequer um enfermeiro, que dirá um médico, enfatizou a magistrada. O profissional orientou a família a continuar ministrando a medicação que o médico do posto havia prescrito e aguardar a sua recuperação.
Apontou que no caso o dano decorre de uma omissão específica dos agentes da administração pública que deixaram de prestar o socorro solicitado. Enfatizou que a omissão é admitida pelo réu, que alega tratar-se de mero caso de transporte. Observou que é inequívoca a relação entre a falta e deficiência e deficiência do serviço público de saúde e o óbito.
Também sublinhou a falta de sensibilidade e respeito dos atendentes do SAMU, em todos os contatos realizados. Citou o trecho de uma ligação, na qual uma atendente do SAMU buscava confirmar junto a funcionário de um posto de saúde a informação de que a família fora orientada por médico a procurar o serviço de emergência. Depois de a funcionária afirmar que o paciente não foi atendido no posto, a atendente afirma que os familiares são safadinhos, muito safadinhos.
A Juíza destacou que foi apresentada gravação na qual enfermeira da UBS São Vicente contata o SAMU buscando atendimento para o jovem, comprovando o relato da família. No entanto, os atendentes do serviço de emergência, após contatarem apenas dois postos de saúde, concluíram que a informação era inverídica. Para a magistrada, pessoas que exercem essa função (...) nunca poderiam referir-se dessa forma àqueles que, com sofrimento e angústia, buscam atendimento aos seus entes queridos. Ademais, nunca deveriam esquecer que estão lidando com vidas e que uma ligação interpretada equivocadamente, pode determinar a sobrevivência ou não de uma pessoa. Concluiu pela fixação da indenização em R$ 100 mil.

Processo nº 01010900257019



terça-feira, 1 de março de 2011

Primeira deputada tetraplégica exige mudanças no plenário.Além de exigir acessibilidade na câmara, Mara Gabrilli já possui diversas propostas destinadas às pessoas com deficiência.


O projeto altera o Código de Trânsito Brasileiro para agravar a punição ao motorista que para o veículo em vaga reservada a idoso ou deficiente físico e determinar a fiscalização em estacionamentos de locais como shoppings e supermercados*.
Aos que estacionarem sem autorização em vagas reservadas, o projeto prevê infração grave, 5 pontos na carteira, com multa de R$ 127,69 e remoção do veículo. A resolução do Conselho Nacional de Trânsito que regulamenta as vagas reservadas prevê hoje inflação leve, com multa de R$ 53,20, 3 pontos na carteira e remoção do carro. Pela lei, 2% do total de vagas em estacionamentos devem ser destinadas a veículos que transportem pessoas com deficiência física ou visual e 5% para idosos.
A proposta também acrescenta às competências dos órgãos de trânsito fazer a fiscalização do uso dessas vagas em “edificações de uso público ou edificações privadas de uso coletivo”, incluindo aí hotéis, clubes, teatros, escolas, igrejas, hospitais, entre outros.
“Diversos órgãos de trânsito municipais têm se recusado a autuar automóveis indevidamente estacionados em vagas reservadas, sob o argumento de que não lhes é permitido fiscalizar áreas privadas”, diz o texto do projeto.
“Hoje, as pessoas entram nessas vagas sem nenhum tipo de fiscalização. Não há como multar, o segurança do local não tem poder de polícia e assim, mesmo se quiser, não consegue deixar a vaga livre”, acrescenta a deputada. A parlamentar também quer que o cumprimento à cota de funcionários com deficiência seja critério obrigatório para a participação em processos de licitação de empresas públicas.
Pretende ainda criar uma comissão permanente na Câmara dos Deputados para tratar dos direitos das pessoas com deficiência. “Seria uma forma de trabalhar os assuntos com todos os partidos e levar a causa para toda a Casa, tentando deixá-la acima de questões partidárias”, defende.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Pesquisadores criam cadeira de rodas para mundo subdesenvolvido.Feita com materiais de bicicleta, cadeira tem alavancas para terrenos irregulares.



A acessibilidade é uma das maiores críticas ao espaço urbano das grandes cidades do mundo subdesenvolvido. A falta de rampas de acesso, as calçadas esburacadas e o transporte público precário dificultam a vida de quem precisa da cadeira de rodas para se locomover. Foi pensando nas necessidades e dificuldades de cadeirantes do mundo subdesenvolvido que Amos Winter, do Laboratório de Mobilidade do MIT, criou a Leveraged Freedom Chair (algo como cadeira de liberdade alavancada).

Editora Globo

A cadeira de rodas projetada para terrenos esburacados foi construída com materiais leves e aproveitados da estrutura de bicicletas. A ideia dos criadores é que ela possa ser reparada em qualquer lugar que arrume bicicletas. O design simples também possibilita que o equipamento seja construído por qualquer um que tenha acesso ao projeto.
Editora Globo

As alavancas acima das rodas servem para dar impulso extra na hora de subir ladeiras e aumentar a velocidade quando em lugares planos. A cadeira é testada por usuários em países do terceiro mundo e está um pequeno lote deve ser fabricado na Índia em breve.

Vídeo sobre DEFICIÊNCIA - Qual a verdadeira deficiência?

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Cadeira de rodas é controlada pelo pensamento do usuário.

Antidepressivo ajuda a recuperar lesão de medula, mostra estudo.


Um antidepressivo comum associado a um programa intensivo de treinamento em esteira pode ajudar pessoas com lesões parciais da medula espinhal a andar mais rapidamente e com mais desenvoltura, revela uma pesquisa inédita apresentada anteontem em congresso de neurociência que acontece em Chicago (EUA).Os antidepressivos são usados para tratar dor crônica de lesionados na medula, mas é a primeira vez que um estudo com humanos mostra benefícios na recuperação motora.
Segundo os autores, o uso de um antidepressivo inibidor da recaptação de serotonina ajudou a fortalecer as conexões nervosas remanescentes da coluna, dando aos pacientes mais capacidade de controlar os músculos das pernas.
“A droga por si só não é milagrosa. Você precisa é da droga mais o treinamento”, explica o médico George Hornby, professor do Instituto de Reabilitação de Chicago e um dos autores do estudo.
Segundo Hornby, foram testados os efeitos do antidepressivo em 50 pessoas que tinham capacidade parcial para mover-se, um ano após terem sofrido uma lesão da medula espinhal.
Durante oito semanas, os pacientes participaram de um treinamento em uma esteira motorizada, assistido por um robô ou por um fisioterapeuta. Eles tiveram o apoio de um suporte para não cair.
Cinco horas antes do treino, metade do grupo recebeu 10 mg de antidepressivo e a outra metade, placebo. Ambos os grupos melhoraram, mas aqueles que tomaram o remédio foram capazes de andar muito mais rápido, de acordo com Hornby.
Ele diz que a droga aumentou os espasmos musculares nos pacientes e que esses reflexos podem ser treinados. “Os pacientes que têm uma lesão da medula espinhal podem invocar esses reflexos para andar.”
Os voluntários só tomaram o antidepressivo no dia do treinamento, mas os benefícios permaneceram mesmo depois que os efeitos da droga haviam passado, afirma o pesquisador.


Qualidade de vida
Segundo o médico Tarcisio Eloy Pessoa de Barros Filho, titular de ortopedia da USP e especialista em lesão medular, os resultados da pesquisa são “muito positivos”, mas são necessários estudos maiores para que o tratamento seja incluído na prática clínica. “Está bem longe da cura, mas pode melhorar a qualidade de vida desses pacientes”, diz ele.
Barros Filho explica que as pesquisas em animais já haviam demonstrado que o antidepressivo pode melhorar o tratamento de lesionados da medula porque facilitam a transmissão dos impulsos nervosos na coluna. “É uma peça a mais nesse gigantesco quebra-cabeça [que é a medula].
”De acordo com o neurologista Jaderson da Costa, coordenador do projeto e diretor do Instituto de Pesquisas Biomédicas da PUC-RS, o antidepressivo age aumentando a disponibilidade de serotonina em pacientes que ainda têm um substrato neural na medula (lesão parcial) e isso pode ajudar na recuperação motora.
Ele lembra que esse tipo de droga também pode melhorar a disponibilidade afetiva, o que faz com que os pacientes se engajem em um programa de treinamento com mais facilidade. “O cérebro ajuda o cérebro.
”O médico Cícero Vaz, fisiatra do Hospital Israelita Albert Einstein, avalia que mais estudos serão necessários para comprovar se o benefício apontado pelo estudo é neurofisiológico (pela ação da serotonina nos impulsos nervosos) ou emocional. “Esse tipo de paciente tende à depressão. Será que, ao melhorar, não há mais aderência ao tratamento?”

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Lindbergh Farias quer comissão para aperfeiçoar legislação sobre pessoa com deficiência.


O presidente do Senado Federal, senador José Sarney (PMDB-AP), recebeu nesta quinta-feira (10), em seu gabinete, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e a superintendente do Instituto Brasileiro de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Teresa D’Amaral. Em entrevista após o encontro, o senador Lindbergh Farias disse que propôs ao presidente do Senado a criação de uma comissão especial para aperfeiçoar a legislação sobre as pessoas com deficiência. De acordo com o senador, o presidente José Sarney “recebeu a ideia com entusiasmo” e irá trabalhar para instalar a comissão.
Lindbergh Farias afirmou que a legislação brasileira já é boa, mas pode ser melhorada. Além de buscar o aperfeiçoamento das normas legais já vigentes, a comissão especial irá, segundo o senador, estabelecer um grande debate e uma grande mobilização nacionais em torno do tema, realizando seminários e audiências públicas.
- Vamos levantar a bandeira da pessoa com deficiência por todo o Brasil – afirmou o parlamentar.
O senador lembrou que hoje, mesmo com uma legislação avançada, há mães de crianças com deficiência que enfrentam “uma luta duríssima no dia-a-dia”, na busca de espaço para dar estímulos ao filho. O senador – que tem uma filha com síndrome de Down – disse que pequenas iniciativas podem fazer a diferença. Citou, por exemplo, a possibilidade de inclusão da Língua Brasileira de Sinais (Libras) no ensino fundamental.
- As crianças iriam se divertir. E quantas pessoas com deficiência auditiva seriam incluídas na vida social apenas com essa medida? – indagou.
Segundo Lindbergh Farias, Sarney afirmou que a comissão (temporária) será criada o mais breve possível. O senador lembrou que o presidente do Senado tem desenvolvido um grande trabalho em favor da inclusão da pessoa com deficiência desde seu mandato como presidente da República, quando foi aprovada boa parte da legislação atual sobre o assunto.
Também em entrevista após o encontro, Teresa D’Amaral disse que “é preciso dar efetividade à legislação brasileira”. Ela afirmou que a grande maioria das cidades brasileiras não tem acessibilidade para pessoas portadoras de deficiência.
De acordo com Teresa D’Amaral, 14,5% da população brasileira são portadores de alguma deficiência. Para ela, “o tema tem de ser trazido para a responsabilidade do Estado e da sociedade”.
- Os deficientes têm necessidades pontuais: o deficiente auditivo precisa do sistema de Libras, o deficiente visual precisa de um programa específico de computador etc. Mas o que é preciso mesmo é o respeito e o espaço necessário para se discutir o tema – afirmou.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011


Estudo valida MultiStem como terapia potencial de células-tronco para lesão da medula espinhal.

“Este estudo demonstra pela primeira vez que uma célula-tronco adulta é capaz de modificar vários aspectos da resposta ferida na sequência de uma lesão medular, concomitantemente alterar a resposta inflamatória para atenuar a lesão secundária no sistema nervoso central e aumentando o potencial de regeneração da neurônios danificados se. Determinadas células-tronco adultas aderentes são conhecidos por terem capacidade imunomoduladora, mas seu potencial para inibir este processo prejudique a inflamação relacionados com danos na medula espinhal não tinha sido investigada até agora “, disse Jerry Silver, PhD, Professor do Departamento de Neurociências na Case Western Reserve School of Medicine.
“Usando modelos pré-clínicos de lesão medular, observamos que MAPC pode regular de forma dinâmica os macrófagos, que causam danos inflamatórios e estimulam o crescimento dos neurônios simultaneamente. Nossos resultados demonstram que CMAP transmitir significativos benefícios terapêuticos após a lesão medular e fornecer provas concretas de que esses adultos células-tronco podem exercer influências positivas imunomoduladores e neurotróficos. “
O estudo, “adultas multipotentes Células Progenitoras Prevenir mediada por macrófagos Axonal dieback e promover o crescimento após a Lesão Medular” demonstra como a administração da CMAP potente afeta células do sistema imunológico responde à lesão inicial em uma série de maneiras. Primeiro, CMAP diminuir significativamente a liberação de uma proteína chamada prejudiciais MMP-9 (metaloproteinase-9), por certas células do sistema imunológico conhecidas como macrófagos, que é conhecido por induzir a morte das axonal. CMAP também provocar uma mudança de macrófagos de um M1, ou “clássica ativado” estado pró-inflamatório, a um M2, ou “alternativamente ativados” estado anti-inflamatórios. Além desses efeitos sobre macrófagos, CMAP promover crescimento de neuritos sensoriais além do local da lesão, indução de brotos, e ainda permitir que os axônios para superar os efeitos negativos dos macrófagos, assim como moléculas inibidoras no seu ambiente, aumentando a sua capacidade intrínseca de crescimento.
“Estes resultados são consistentes com os efeitos que vemos em outros modelos de lesão neurológica, e proporcionar uma maior validação do MultiStem emergentes como uma terapia com células-tronco com um vasto potencial para o tratamento de uma variedade de condições, incluindo muitas vezes, devastadoras e aparentemente irreversíveis seqüelas da lesão da medula espinhal “, disse Gil Van Bokkelen, PhD, presidente e Chief Executive Officer da Athersys. “Embora a investigação continua significativo antes que possamos aplicar esses métodos em terapia humana, vemos esses resultados como muito emocionante, e estamos ansiosos para continuar a explorar a utilidade clínica do MultiStem toda uma série de indicações neurológicas.”

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Vereador solicita carteiras adaptadas para pessoas com deficiência em todos os colégios.Nova lei afeta todos os estabelecimentos de ensino de Barra Mansa (RJ).



Três mãos de adultos auxiliam mão de criança a escrever
A Câmara Municipal de Barra Mansa (RJ)Site externo. aprovou o Projeto de Lei 299/09, de autoria do vereador Luiz Baptista de Barros, que dispõe sobre a obrigatoriedade da existência de carteiras escolares adaptadas para uso de estudantes com deficiência física em todos os estabelecimentos de ensino do município.
O prefeito José Renato (PMDB) sancionou a Lei 3.888, de 26 de Abril do ano passado, e o instrumento legal já está em vigor, devendo ser aplicado neste ano letivo.
Considera-se pessoa com deficiência física ou com mobilidade reduzida, para efeitos da lei aprovada, a que, temporária ou permanentemente, tem limitada a sua capacidade de relacionar-se com o meio e de utilizá-lo, conforme dispõe o inciso III do art. 2º da Lei Federal 10.098, de 19 de fevereiro de 2000.
Os estabelecimentos de ensino enquadrados na obrigatoriedade são os de ensino fundamental, médio e superior, incluídos ainda os cursos de extensão. As carteiras adaptadas deverão se adequar aos padrões e normas daAssociação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)Site externo. e do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro)Site externo.. A lei prevê, ainda, que a quantidade de carteiras necessária será determinada quando do ato da matrícula.
O vereador, ao justificar o seu projeto de lei, enfatizou: “Precisamos garantir a qualidade de vida de toda a população, sem exceção, e facilitar o dia a dia para aqueles que tenham dificuldades de locomoção ou de adaptação ao ambiente escolar. O que propomos é, justamente, criar normas para que as nossas escolas, em todos os níveis, ofereçam condições dignas às pessoas com deficiência física, temporária ou definitiva, para a frequência às aulas, sem que sofram prejuízos no processo de aprendizagem o oferecendo condições igualitárias a todos”.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Empresa no Piauí paga indenização por discriminar pessoas com deficiência.Pessoas com deficiência visual e auditiva foram as vítimas. Um deles teve uísque servido em copo de plástico.



Símbolo que traz diversos desenhos que remetem pessoas com deficiência
A Promotoria da Pessoa com Deficiência e do Idoso penalizou um restaurante de TeresinaSite externo.por discriminar um grupo de pessoas com deficiência. Após acordo com o empresário, oMinistério Público EstadualSite externo. determinou o pagamento de 300 cestas básicas em punição pelo crime, ocorrido este mês. 
Seis pessoas com deficiência visual e auditiva foram jantar no restaurante e se sentiram discriminados no atendimento. Segundo a denúncia, os garçons não respondiam aos chamados dos clientes, que teriam sido tratados como pedintes.
O fato mais marcante da denúncia foi o atendimento diferenciado. Um dos deficientes teve uísque servido em copo descartável, de plástico, enquanto os clientes das outras mesas tinham copos de vidro. 
O nome da empresa, que reconheceu o erro dos garçons e chegou ao acordo, não foi divulgado pela Promotoria.
A pena será paga em 100 cestas para a Associação dos Deficientes Físicos de Teresina e 200 para o Conselho Estadual de Direitos da Pessoa com Deficiência.

Pela primeira vez, deputados cadeirantes terão acesso à tribuna na Câmara.Reformas implantadas na Câmara permitirão o acesso dos três parlamentares eleitos à tribuna.



Foto do prédio da Câmara
Na terça-feira, 1º de fevereiro, o Plenário Ulysses Guimarães vai receber os deputados da 54ª Legislatura já adaptado às necessidades dos parlamentares com deficiência. Pela primeira vez, deputados cadeirantes terão acesso à tribuna.
Três dos parlamentares que tomam posse nesta terça-feira usam cadeira de rodas: Mara Gabrilli (PSDB-SP)Site externo.,Rosinha da AdefalSite externo. (PtdoB-AL) e Walter TostaSite externo. (PMN-MG). Para que possam acessar a tribuna, a CâmaraSite externo. instalou uma plataforma elevatória para cadeiras de rodas. Também foi criado um espaço reservado para cada um deles nas pontas do corredor central de acesso ao Plenário, onde foram instalados microfones. "Essas medidas possibilitam que os cadeirantes possam usar o microfone para apartes", explicou o diretor da Coordenação de Projetos da Câmara, Maurício Matta.
Desde 2004, a Câmara vem reformando suas instalações para permitir a acessibilidade de parlamentares, visitantes, funcionários, telespectadores e internautas aos ambientes, produtos e serviços da Câmara. Confira abaixo adaptações feitas para dar acessibilidade aos deputados cadeirantes:
-Instalação de uma plataforma elevatória no Plenário Ulysses Guimarães para permitir o acesso à tribuna (jan/2011);
-Adaptação (retirada das poltronas e instalação de microfones fixos) e sinalização de 3 bancadas no Plenário Ulysses Guimarães (jan/2011);
-Adaptação de sanitários no Plenário Ulysses Guimarães (dez/2009);
-Instalação de um sistema óptico de votação eletrônica no Plenário para a Deputada Mara Gabrilli, que é tetraplégica (jan/2011);
-Adaptação e reformulação do leiaute da Sala Vip dos Deputados para permitir o acesso ao elevador, ao interfone e ao registro de ponto eletrônico (jan/2011);
-Reforma e adaptação dos apartamentos funcionais (obra concluída em jan/2011);
-Reforma e adaptação dos gabinetes funcionais (obra a ser concluída em fev/2011);
-Adaptação de vagas na garagem do Anexo IV e demarcação de rota acessível com reforma no piso (jan/2011);
-Reforma e adaptação do Plenário 2, o 14º e último plenário de Comissões a ser adaptado (jan/2011).

Tecnologia especial permite que pessoas com deficiência visual dirijam.A tecnologia é a combinação entre uma adaptação em um carro comum e a criação de luvas especiais (que fornecem respostas táteis).


Homem com óculos escuros
Uma nova tecnologia desenvolvida pela Virginia TechSite externo., promete uma maneira viável para que as pessoas com deficiência visual possam dirigir automóveis no cotidiano. A novidade foi experimentada por Mark Riccobono, um executivo da NFB (Federação Nacional para Cegos), o qual teve a oportunidade de pilotar um automóvel no circuito Daytona International Speedway.
A tecnologia é a combinação entre uma adaptação em um carro comum e a criação de luvas especiais (que fornecem respostas táteis) para que os deficientes visuais possam ter uma maneira diferente de dirigir. Com seis anos de investimento em pesquisa em desenvolvimento, a equipe da Virginia Tech finalmente conseguiu algo útil para experiências iniciais.
Durante o teste na Daytona International Speedway, Mark Riccobono pôde desviar de obstáculos estáticos e em movimento - os quais foram lançados de uma van. Apesar de a experiência surtir resultados positivos, a NFB afirma que a tecnologia ainda não está pronta para utilização no cotidiano.
A criação desta nova tecnologia é um resultado da competição Blind Driver Challenge (Desafio de Motoristas Cegos) proposta pela NFB. A novidade ainda não tem um nome definido e não há previsão de disponibilidade para o consumidor final, nem mesmo se a legislação vai aprovar esse tipo de acessório para os deficientes visuais.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Prefeito sanciona lei que regulamenta Conselho dos Direitos da Pessoa com Deficiência.Cidade gaúcha de Canoas agora possui Conselho que integra Fundo Municipal das Pessoas com Deficiência.


Imagem traz diversos desenhos que remetem às pessoas com deficiência
O prefeito de Canoas (RS)Site externo., Jairo Jorge, sancionou nesta terça-feira, 25, a Lei nº 5577, que regulamenta o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

A lei faz parte do Fundo Municipal das Pessoas com Deficiência e dispõe sobre as políticas dos direitos das Pessoas com Deficiência, da integração delas com as políticas da educação, saúde, trabalho, desenvolvimento social, transporte, acessibilidade, cultura, desporto e lazer, visando a sua inserção na sociedade, dentro dos princípios da igualdade de direitos.

O prefeito lembrou da importância do Conselho, enquanto fórum da sociedade para buscar junto com o poder público as soluções para os problemas para a parcela da população que representa. “Não é apenas um fórum reivindicatório, mas também um local onde a sociedade cria resultados junto com o poder público”, salientou.

Também participaram do ato a coordenadora de políticas de Inclusão e Acessibilidade, Oni Teresinha; o presidente do Conselho, Jair Silveira, o secretário de Relações Instituicionais, Mário Cardoso, e convidados. O COMDIP é composto por seis membros do poder público e seis representantes de entidades não-governamentais do município, que atendam pessoas com deficiência.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Deficiente física volta a andar com ajuda de 'armadura' Amanda atua como espécie de piloto de testes de um exoesqueleto criado por engenheiros da Berkeley Bionics para as Forças Armadas Americanas. Com ele, soldados conseguem levantar objetos de 90 quilos.



Imagine o que é sofrer um acidente e passar 18 anos em uma cadeira de rodas, sem poder andar. E, de repente, essa pessoa sai andando. Não é milagre. É o progresso da medicina que fez Amanda Boxter caminhar.

Foi um dia muito mais colorido do que qualquer um de nós poderia imaginar. Quando Amanda e o cachorro Tucker percorreram o último trecho de calçada no caminho até o laboratório foram atrás de uma expectativa que parecia perdida 18 anos atrás, desde que Amanda sofreu um acidente de esqui em uma montanha nevada. Ela sentiu uma corrente elétrica como um choque descendo pelo corpo e nunca mais mexeu nada da cintura para baixo.

"Quando eu perdi os movimentos das pernas, um médico veio até meu quarto no hospital e disse que eu jamais voltaria a andar. Tirou toda a esperança que existia dentro de mim", conta Amanda Boxtel.
As palavras do médico ainda latejavam na cabeça de Amanda naquela quinta-feira, até quando ela já estava ali, diante do equipamento que prometia o que talvez não fosse mais impossível, mas ainda era muito improvável. Como ela poderia andar, se quase a metade da vida foi na cadeira de rodas? 
Amanda confia muito nos engenheiros da Berkeley Bionics, porque acompanha a pesquisa desde os primeiros testes. Dentro do instituto, ela viu o exoesqueleto que eles fizeram para as Forças Armadas Americanas. Com ele, soldados conseguem levantar objetos de 90 quilos como se fossem plumas, e seres humanos correm por horas e horas, incansáveis, como se fossem robôs.

Assim, a mulher que continuou atleta até mesmo depois da cadeira de rodas virou uma espécie de piloto de testes, sempre sob o olhar atento do cachorro. "Queremos que as pessoas se levantem e andem o mais rapidamente possível", disse Eythor Bender.

Quando Amanda abandona a cadeira de rodas, começa a vestir uma tecnologia que, segundo os criadores, mistura robótica e inteligência artificial. Nas costas, está um computador de última geração, ligado a sensores que são colocados nos pés, nos joelhos e na cintura, para captar a intenção de Amanda.

A máquina não decide sozinha”, explica o engenheiro de computação John Fogelin. "Mas, uma vez que você sinaliza que está pronto para dar o passo, você tem um computador com inteligência artificial para completar aquele movimento".

Os assistentes fazem os últimos ajustes e se certificam de que o equipamento está bem preso ao corpo da paciente. Depois de um clique no botão, chega o grande momento.

Amanda surpreende e levanta de primeira. Em seguida, testa o equilíbrio do corpo em busca de firmeza e segurança. Ela precisa de muletas. Afinal, é preciso lembrar que ela não tem nenhuma força nas pernas.

Assim que a mente de Amanda diz ao corpo que gostaria de andar, a região em volta da cintura, a última parte que ainda responde ao cérebro, transmite essa mesma ordem ao computador. Isso acontece porque os sensores traduzem os mínimos movimentos de Amanda, e a máquina diz ao robô pra andar na direção exata em que ela tentou se mexer.

Enfim, depois de 18 anos de espera, qual é o sentimento de Amanda? "Você consegue imaginar: ficar paraplégico, sempre sonhar com isso e, de repente, não ter mais que sonhar? Essa é a minha realidade", destaca a americana.

Amanda faz questão de ressaltar que está caminhando e ao mesmo tempo conversando com o repórter, sem se cansar. Ela também não sente o peso do equipamento, porque ele é feito para se sustentar por conta própria. São baterias potentes que, supostamente, aguentam um dia inteiro de caminhada.

Ainda que pareça simples, do ponto de vista tecnológico, é algo complicadíssimo. "Quanto mais você estuda o ato de andar, mais você percebe como é um modelo mecânico complexo. É um ato contínuo de cair e retomar o equilíbrio, o que é muito complicado de reproduzir em um computador", ressalta o engenheiro John Fogelin.

Mas, agora que robótica avançou muito, o software está perfeitamente afinado, e a máquina navega com perfeição. Amanda Boxter se aventura calmamente pelo laboratório.

Na cadeira de rodas desde os 24 anos e agora, aos 43, depois de fazer o que nem o médico mais otimista poderia imaginar, ela fala outra vez em esperança.

"Não existe mais razão para não sonhar. Isso está acontecendo neste momento. A percepção dos médicos sobre o futuro de paciente com paralisia mudou, seja por meio de tratamentos com células-tronco ou com a tecnologia robótica. Agora dá para dizer: 'você vai se levantar e caminhar'. E eu estou fazendo isso, desafiando todas as probabilidades", afirma Amanda.

Por fim, Amanda faz questão de exibir a conquista ao companheiro Tucker. E o dia termina com um convite inesperado para ele: vamos caminhar?